ANJOS DA LATA
DE AÇÃO COMUNITÁRIA A GERAÇÃO DE IMPACTO SOCIAL
O Anjos da Lata é projeto socioambiental mato-grossense que transforma lixo seco e sucata em instrumentos de percussão, promovendo inclusão e consciência ecológica. Fundado pelo músico, arte-educador e assistente social Anselmo Parabá, o projeto cresceu de uma ação comunitária para se tornar uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de grande impacto regional e nacional.
Origem e Inspiração (2005).
A semente do projeto começou em 2005, no bairro Tijucal, na periferia de Cuiabá. Anselmo Parabá cresceu em uma realidade cercada pelo tráfico de drogas e criminalidade dos anos 1990. Vendo amigos de infância se perderem no crime ou no vício, ele encontrou na música um refúgio e um caminho de transformação. Foi nessa época que Parabá começou a pesquisar como extrair sons profissionais de materiais reciclados, tornando-se pioneiro no estado no desenvolvimento de técnicas de musicalização com sucata.
Fundação do Projeto (2013).
Após anos de pesquisa e de liderar outras iniciativas (como a banda Mandala Soul e o Instituto Mandala), o projeto socio-cultural Anjos da Lata nasceu oficialmente em março de 2013, no bairro Jardim Mirante, em Tangará da Serra.
A ideia ganhou força quando os servidores da educação pública local entraram em greve. Para evitar que as crianças ficassem ociosas e expostas às ruas, Anselmo começou a dar oficinas voluntárias de percussão para um grupo de pequenos vizinhos da Escola Estadual Bento Muniz. O impacto imediato na comunidade consolidou o formato da iniciativa.
Institucionalização: Empreendedores Criativos (2022).
Em 2022, um marco importante consolidou a gestão do projeto. Anselmo Parabá, juntamente com a produtora cultural e estudante de pedagogia, fundou a Empreendedores Criativos , uma OSC (Organização da Sociedade Civil) dedicada a executar projetos culturais e a gerir oficialmente o Anjos da Lata. A partir desse momento, a atuação se fortaleceu em Várzea Grande e em diversas cidades do interior do estado.
Sede Própria e Ponto de Cultura (2025).
Em 2025 , a OSC deu um passo histórico com a fundação do Espaço Cultural Criativos, em Várzea Grande. O local funciona como a sede oficial do projeto e abriga o Ponto de Cultura Anjos da Lata, centralizando as oficinas, ensaios e atividades comunitárias.
Linha do Tempo de Conquistas e Prêmios.
A trajetória recente do projeto é marcada por reconhecimentos de nível municipal, estadual e nacional:
• 2016: Prêmio Brasil Criativo.
• 2023: Selecionado no edital da FALM (Fundação André e Lucia Maggi).
• 2023: Selecionado para a ExpoFavela Innovation, destacando-se como ecossistema de inovação social.
• 2023: Selecionado no programa Move MT 2, que impulsiona a economia criativa no estado.
• 2024: Certificado oficialmente pelo Ministério da Cultura (MinC) como Ponto de Cultura.
• 2024: Selecionado no edital Nós Periféricos, da Fundação Abrinq.
• 2024: Vencedor do Prêmio Geraldo Costa, uma importante honraria dedicada a personalidades e projetos que atuam no letramento racial.
• 2025: Reconhecido como de Utilidade Pública Municipal e Estadual, chancelando a relevância jurídica e social do projeto.
• 2026: Selecionado para compor a programação da 6ª TEIA Nacional, grande evento de celebração da cultura viva realizado pelo MinC.
Metodologia e Impacto
A metodologia própria desenvolvida foca na prática coletiva antes da teoria, permitindo que os alunos toquem ritmos rapidamente. Utilizando latas de tinta, garrafas PET e canos de PVC, o grupo reproduz desde o tradicional rasqueado mato-grossense até vertentes da música negra e eletrônica, atendendo hoje desde crianças até a melhor idade.
O histórico atual do Anjos da Lata está muito robusto, mas cruzando a trajetória do Anselmo Parabá com a evolução do projeto, ainda existem detalhes artísticos, técnicos e de bastidores essenciais que completam essa narrativa rica.
Aqui está o que mais faz parte e enriquece a história do projeto:
1. Influências Globais e Musicais
• A Inspiração no Grupo Stomp: Um dos grandes divisores de águas na pesquisa do Anselmo Parabá foi o contato com o trabalho do renomado grupo percussivo norte-americano Stomp, que utiliza objetos do cotidiano (como vassouras e tampas de lixo) para fazer espetáculos. Parabá adaptou essa linguagem cênica global à identidade e aos ritmos da cultura popular de Mato Grosso.
• Bagagem Técnica do Fundador: Embora tenha uma formação popular, Parabá refinou o projeto estudando regência e passando pelo Conservatório de Música da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) e pela renomada Escola de Música de Brasília, trazendo rigor técnico e sofisticação aos arranjos feitos com sucata.
• Passado no Movimento Black e Rock: Nos anos 1990 e 2000, antes de consolidar o Anjos da Lata, Anselmo fez escola no cenário musical local tocando em bandas de rock e fundando a Banda Mandala Soul, focada em black music. Essa bagagem explica a facilidade do grupo em misturar o rasqueado mato-grossense com hip-hop, funk e ritmos afro-brasileiros.
2. Inovação na "Luteria de Sucata"
Falta nomear as "patentes" e invenções do projeto. O Anjos da Lata não apenas bate em latas; eles criaram um catálogo de instrumentos alternativos com nomes e construções próprias:
• O Violatão: Uma adaptação percussiva/harmônica feita com latas grandes.
• O Trom-pet: Instrumento de sopro e efeito feito com garrafas PET.
• Teclado Humano: Uma dinâmica de musicalização e coordenação criada para as oficinas comunitárias.
• Além de reconfigurações artesanais de Bumbos, Caixas e Chocallhos construídos inteiramente do lixo seco.
3. A Rede de Colaboradores Reais
Nenhum ecossistema cresce sozinho. Nos bastidores da OSC Empreendedores Criativos e do Ponto de Cultura, há uma rede de profissionais, oficineiros e ativistas que fazem as engrenagens girar no dia a dia, como Eliane Germano, Alice Carolina, Daniel Morel e Edu Slum, que ajudam a estruturar desde a assistência social e pedagogia até a produção Executiva e Musical periférica.
4. O Impacto Metodológico: O "Olhar de Caçador"
Na metodologia do projeto, existe o treinamento do "olhar atento" para os jovens. Eles são ensinados a enxergar valor onde a sociedade vê descarte. Isso transforma os alunos em agentes ambientais em seus próprios bairros, coletando a matéria-prima e gerando o sentimento de pertencimento (eles tocam o instrumento que eles mesmos coletaram e construíram).